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Os jogos reduzidos no futebol: auxiliadores da preparação física | Parte 1

Por: Felipe Rodrigues

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O treinamento no futebol vem evoluindo, caminhado cada vez mais ao encontro da especificidade do jogo. Nesse sentido, os jogos reduzidos no futebol vêm sendo amplamente utilizados para aproximação entre o jogo e o treino.

Com base nisso, estudos já demostraram o aumento do desempenho físico e técnico em equipes que utilizam este método durante suas sessões de treinamento. Contudo, precisamos ter atenção ao caráter estrutural dos jogos reduzidos no futebol. Isso porque, existem diversos fatores que podem influenciar na resposta da demanda física e fisiológica dos atletas durante a realização das atividades. Por exemplo: a dimensão do campo, as regras do jogo, o incentivo verbal por parte da comissão, a duração do trabalho, a composição das equipes, o número de jogadores, entre outros fatores (REBELO et al, 2016; HALOUANI et al, 2014).

Relação entre número de jogadores e a demanda física e fisiológica.

Podemos dividir os jogos reduzidos no futebol em três grupos:

  • Pequenos jogos (1×1, 2×2, 3×3, 4×4)
  • Médios jogos (5×5, 6×6, 7×7, 8×8)
  • Grandes jogos (9×9, 10×10).

Diante disso, estudos nos mostram que os jogos menores apresentam mais respostas fisiológicas (maior carga interna), quando comparado aos grandes jogos. Em outras palavras, valores de concentração de lactato, frequência cardíaca (FC) e PSE são mais elevados neste formato de jogo (BELOZO; LOPES, 2017).

Nessa mesma linha, devido ao fato do trabalho ser realizado em alta FC, o formato de pequenos jogos é uma boa alternativa para o desenvolvimento da capacidade aeróbia dos atletas. Entretanto, Rebelo et al (2016) indicou que jogos no formato de 4×4+goleiro (GK) também seriam uma boa alternativa para o treinamento da potência muscular, pois o contato constante com o centro do jogo e as poucas alternativas de passes, obrigam os jogadores a realizarem um grande número de acelerações e desacelerações.

Por outro lado, este mesmo estudo indica que em formatos de 8×8+GK, as distâncias percorridas em alta intensidade e sprint foram maiores se comparadas ao formato de 4×4+GK. Apresentando, assim, uma alta correlação com os testes de Sprint de 15m e indicando uma maior sobrecarga externa.

Estes resultados estão relacionados a dois fatores fundamentais do treinamento por meio dos jogos reduzidos no futebol, são eles: a relação esforço X pausa e a dimensão do campo de jogo.

Manipulação das dimensões do campo

As diferentes dimensões de campos nos jogos reduzidos impactam em mudanças nas movimentações dos atletas durante a atividade. As principais mudanças são em relação à velocidade máxima alcançada, distância total percorrida e distância percorrida em alta intensidade. Portanto, há uma relação linear entre o aumento do campo de jogo e o aumento das variáveis citadas acima (BELOZO; LOPES, 2017; REBELO et al, 2016).

Esta relação pode ser explicada pelo simples fato que, em campos com dimensões maiores, existe mais espaço para que os atletas percorram grandes distâncias e consigam atingir velocidades máximas. Assim, uma variável muito importante é a área ocupada por cada jogador (m²/jogador). Pois, com a manipulação desta variável, é possível trazer características presentes nos médios e grandes jogos para os pequenos jogos, e vice-versa.

Contudo, para se trabalhar com jogos reduzidos no futebol não basta elaborar exercícios visando apenas uma resposta fisiológica, desconsiderando as demais vertentes presentes no jogo, como a tática, por exemplo. Desse modo, a composição das equipes durante a realização dos jogos exerce uma grande contribuição para unificar estas vertentes, a fim de otimizar a performance da equipe durante as sessões de treinamento.

Fonte: imagem retirada do vídeo do youtube.com.

A composição das equipes nos jogos reduzidos no futebol

Como já foi visto em textos anteriores, diferentes posições requerem demandas físicas especificas durante a partida. Dessa forma, é necessário saber se os jogos reduzidos demandam comportamentos específicos em relação ao estatuto posicional durante suas realizações.

Nessa perspectiva, Praça et al (2017) realizou um estudo para quantificar a demanda física em função do estatuto posicional em pequenos jogos de futebol. Os resultados demonstraram que os pequenos jogos refletem a especificidade do jogar em função do estatuto posicional em formatos de jogos de 3×3, onde cada equipe era composta por um defensor, um meio campista e um atacante. Acreditamos que este modelo permita uma correlação com as demandas físicas específicas solicitadas aos jogadores pelo jogo. Dessa forma, a composição das equipes nos pequenos jogos demonstra ser uma variável de suma importância para o condicionamento físico de jogadores. No entanto, para atingir maiores níveis de performance é necessária a manipulação de outras duas variáveis, são elas: implementação de regras e o incentivo verbal.

Influência da modificação da regra e incentivo verbal nos jogos reduzidos

Desde os primórdios do jogo de futebol, a regra do jogo exerce uma influência direta sobre os comportamentos dos jogadores durante uma partida. Como exemplo, podemos citar o surgimento da regra do impedimento. Nesse sentido, alguns estudos se propuseram a analisar a influência da modificação das regras durante a realização dos jogos em campo reduzido. Algumas variações analisadas foram:

Os autores relataram que, a manipulação da regra durante os jogos reduzidos, resulta em mudanças na intensidade dos jogos e nas ações técnicas e táticas (HALOUANI et al, 2014). Por exemplo, os jogos sem restrição de números de toques na bola, estimulam os jogadores a realizarem mais duelos. Preservando, assim, a eficiência das ações técnicas. Por outro lado, essa manipulação da regra diminui o número de corridas em alta intensidade e sprints. Em contrapartida, a utilização da marcação individual aumenta cerca de 4,5% a FC durante a realização da atividade. O encorajamento verbal dos treinadores durante a realização dos jogos reduzidos também exerce uma influência no aumento da intensidade do jogo (RAMPININI et al, 2007; HALOUANI et al, 2014).

Conclusão

Portanto, esses são apenas alguns exemplos de manipulações que podem ser feitas. Porém, podemos aplicar uma infinidade de modificações durante a realização dos jogos em campo reduzido, a fim de obter uma maior resposta física e fisiológica por parte dos atletas. A presença dos goleiros, presença de mini-gols, jogos contínuos e intermitentes são outros exemplos de manipulações nos mini-jogos.

Assim, conseguimos constatar que existem várias manipulações referentes a estrutura dos jogos em campo reduzidos, acarretando diferentes respostas físicas e fisiológicas. Percebemos que, quanto mais o jogo se aproxima do formato oficial, maiores serão as movimentações e menor será a intensidade fisiológica presente na atividade.

Na parte 2 deste texto iremos discutir como correlacionar estas variáveis a fim de otimizar a preparação física dos atletas por meio da metodologia.


Para aprender mais sobre os jogos reduzidos, escute nosso podcast com o professor Bruno Pivetti.

Contato do autor:
Instagram: endrigo_f
E-mail: endrigof1@gmail.com

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