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A saída de bola no futebol exige coragem?

Por: Guilherme Tadashi

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Atualmente, a saída de bola no futebol é um assunto muito debatido. Quando o treinador Fernando Diniz passava por oscilações no São Paulo, por exemplo, ouviam-se comentários de que a melhor solução seria o “chutão” para os erros na saída de bola. No entanto, quando a equipe progredia de pé em pé até chegar ao último terço do campo, o estilo de jogo denominado “Dizinismo” era apoiado.

Então, qual alternativa está certa?

Já adianto que não há certo ou errado, existe o que funciona! Portanto, o objetivo de quem vos escreve não é definir a forma ideal de progressão, dado que depende da intenção de cada treinador.

Sendo assim, o texto separado nos princípios gerais, aborda aspectos relevantes para a 1ª fase de construção, seja através da saída: com linha quatro, lavolpiana, com lançamento, etc.

Criar superioridade numérica

Fonte: criado pelo autor no tactical-board.com
  • Procurar homem livre

Identificar as relações de oposição e cooperação são essenciais para localizar o homem livre. À medida que a equipe progride utilizando tal dinâmica, aumenta o conforto nas organizações ofensivas, proporcionando, sobretudo, confiança coletiva.

Entretanto, no que tange aos métodos para encontrar o homem livre, recomendo a leitura do artigo de Guilherme Vieira, pois contém materiais que não serão debatidos aqui.

  • Importância do goleiro

A primeira fase de construção é o sub-momento mais fácil para se criar superioridade numérica. É matemática: se o goleiro adversário protege a própria baliza, podemos incentivar o nosso goleiro a jogar com os pés e ser o homem livre da situação, promovendo, dessa forma, a relação de 11 cooperações e 10 oposições.

Fonte: Footure

Com a evolução do jogo, a saída de bola no futebol passou a contar com o goleiro, deixando 3 jogadores responsáveis por esse primeiro momento de construção, como o Felipe Alves no Fortaleza contra blocos médios. Porém, há aqueles que escolhem saídas densas (linha de 4 + 2 volantes, por exemplo). Assim, o goleiro tem a possibilidade de realizar lançamentos e verticalizar rapidamente o ataque, com o intuito de aproveitar os espaços deixados pelos oponentes em bloco alto.

Evitar igualdade numérica

Para evitar igualdade numérica, vale analisar a estrutura padrão da equipe adversária e observar quantos jogadores costumam constranger a saída de bola. Por exemplo, se na escalação inicial o treinador adversário optar por 2 centroavantes, significa que em uma construção iniciada com linha de quatro, nossos zagueiros ficarão em igualdade numérica.

Isso indica que a construção a partir da saída lavolpiana será proveitosa? Depende, é uma questão situacional que abrange diversas variáveis, como: quais são as características dos meus volantes? Os meus zagueiros são destros ou/e canhotos? Qual é o perfil dos oponentes? Qual é o tipo de marcação adversária? Como queremos atacar? Onde há espaços? Em qual posição estamos no campeonato?

Veja que a forma de construção envolve uma série de questionamentos. Desse modo, com as respostas em mente, o treinador refletirá as possíveis dinâmicas para progredir com êxito.

Não permitir inferioridade numérica

O jogo de futebol é como um cobertor curto, ou seja, se você cobre um lado, o outro torna-se exposto. Dessa forma, ao construir com inferioridade numérica, garantirá superioridade nas zonas subsequentes, sendo válido optar pelas bolas longas.

Mas lembre-se, não são “chutões” sem intenção. Leandro Zago explica que devemos pensar a organização ofensiva visando uma transição defensiva. Em outras palavras, ao realizar “chutões”, arrisca-se o ganho ou a perda da bola. Portanto, se não for treinada, corremos sérios riscos de fracasso, ao passo que a equipe estará descompactada e vulnerável para transitar defensivamente.

Fonte: (Vitor Forcellini/JEC)

O medo do brasileiro na saída de bola no futebol

Levando em consideração o que foi mencionado, nunca saberemos se o “chutão” ou se construir curto seria a melhor opção para o Diniz. Mas o que podemos destacar é que haverá diversos outros treinadores que irão preferir construir de pé em pé.

Nesse sentido, eles não decidem construir sob pressão porque querem correr riscos. Há intencionalidades por trás das ideias. Logo, é desnecessário temer essa forma de construção, pois as vezes, é fundamental realizar um passe para trás, para dar dois à frente.


Escute nosso podcast com o professor Rodrigo Leitão, no qual debatemos alguns princípios do jogo mencionados neste texto.

Contato do autor
Instagram: @g_tadashi

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