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Treinamento de goleiros na infância

Por: Bruna de Fáveri

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Atualizado em

Os Jogos Esportivos Coletivos como o futsal, futebol e handebol, são modalidades que contam com diversas posições. Sabemos que é muito comum a preocupação em organizar e ensinar as funções de cada posição desde a tenra idade para desenvolver suas potencialidades. No entanto, o treinamento de goleiro muitas vezes fica aquém, em comparação ao restante das posições.

Compreendemos também que é mais comum a influência dos pais e/ou responsáveis por seus filhos (as) para serem jogadores de linha, havendo pouca procura para ser goleiro. Mas, quando encontramos, é necessário ter um olhar pedagógico específico para tal.  

Mas como realizar uma abordagem educativa com esta posição?

Em princípio, nesta fase, o aluno precisa ter apreço por esta posição. Logo, compreendemos que dos 07 aos 10 anos os alunos começam a interiorizar os esquemas de ações, simples e concretas, por meio da diversidade de vivências.

Do mesmo modo, o jogo situacional comportamental deve ser enfatizado. O aluno precisa se situar dentro da área, ter noção espacial e de regras, entendendo ser o único que pode tocar na bola com as mãos no futebol e futsal, por exemplo. Bem como, identificar quem são seus colegas de equipe na reposição de bola.

Em suma, algumas reflexões pedagógicas são necessárias para o planejamento de aula:

  • Quais os movimentos mais importantes que os goleiros realizam durante as partidas?
  • Como realizá-los?
  • Onde o goleiro pode jogar dentro da quadra?
  • Como o goleiro deve se posicionar no momento do escanteio e reposição de bola?
  • O aluno (a) precisa gostar do que realiza e se sentir confiante.

Como realizar o treinamento de goleiro de futsal para a criança?

Empunhadura ou pegada

Sob o mesmo ponto de vista da premissa acima sobre o planejamento contextualizado, a ação do movimento precisa ter sentido para quem realiza. Dentre os fundamentos específicos da posição, a empunhadura ou pegada, movimento este realizado com as mãos para agarrar a bola, é um dos mais utilizados.

Nesse sentido, para desenvolver a técnica, o professor pode estar utilizando diversas bolas, de diferentes tamanhos, inclusive bolinhas de tênis que após o quique toma direções distintas, possibilitando a velocidade de reação do movimento.

As atividades com constantes mudanças de direções, sejam elas quicando a bola contra o chão e realizando a empunhadura, ou deslocamentos frontais e de costas lançando a bola para cima são importantes inclusive para o aquecimento inicial, caracterizando situações técnicas e de espaço temporal.

Base

Fonte: foradecampope.com.br

Outro fundamento do goleiro de futsal é a base. Movimento importante para defesas de bolas rasteiras e saídas no 1×1. Logicamente que há todo uma complexidade envolvida nas situações de jogo e em qual situação tal fundamento será realizado. No entanto, movimentos simples de ações corporais trabalhados durante o treinamento auxiliam no processo de ensino aprendizagem global do aluno.

O profissional pode organizar atividades com deslocamentos e dois fundamentos em simultâneo, favorecendo a tomada de decisão rápida do aluno e a visão ampla do ambiente (espaço, traves, bola e jogador).

Trabalhos técnicos-táticos

Outro ponto importante são os trabalhos técnicos táticos de 1×1 com alunos (as) de linha. Estes desenvolvem a noção do tempo de chute do jogador, noção de como se deslocar conforme o espaço onde a bola está, além do enfrentamento com o adversário e defesas de finalizações dentro e fora da área.

A atividade denominada “espelho” também é essencial para automatização da ação corporal. Inicialmente, pode ser realizada sem bola, onde o profissional permanece de frente para os alunos (as) executando os movimentos com calma, enquanto estes repetem as ações. É um momento de correção, ajustes e automatização do movimento. Logo o elemento bola pode estar sendo introduzido e adicionado a empunhadura e/ou agarre.

As possibilidades de ensino são enormes. Assim, é importante que se tenha objetivos claros de aulas/treinos e sequência partindo do mais simples para o mais complexo.

Por fim, o mais importante é o goleiro (a) se sentir confiante debaixo das traves. Esta confiança se dá em um processo de reforço positivo entre treinos e jogos e, principalmente, ao ter a compreensão do que está fazendo dentro de quadra. Como resultado, o treinamento de goleiro de qualidade dará confiança e qualidades técnico-táticas fundamentais para a posição.


Quer saber mais sobre o treinamento de goleiro na base? Então escute nosso podcast com o Rafael Kiyasu, preparador de goleiros da base do Santos.

Referências

PIAGET, Jean. A epistemologia genética. São Paulo: Martins Fontes, 1990

Contato da autora:
Instagram: @Torettifaveri

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