Fale com nossa equipe

Os jogos reduzidos no futebol: auxiliadores da preparação física / parte 2

Por: Felipe Rodrigues

Postado

-

Atualizado em

Como visto no texto anterior, os jogos reduzidos no futebol estão cercados por diversas variáveis, cabendo a nós, profissionais envolvidos, manipulá-las a fim de atingirmos determinados resultados durante nossas sessões de treinamentos.

Dessa forma, começaremos o texto tratando do desenvolvimento da capacidade aeróbia. Pois, sendo o futebol um esporte predominantemente aeróbio, desenvolvermos bem esta capacidade é fundamental para obtermos atletas capazes de suprirem as demandas exigidas pela partida da melhor maneira possível.

Treinamento aeróbio por meio dos jogos reduzidos

A capacidade aeróbia se resume basicamente em captar, transportar e metabolizar o oxigênio de modo a fornecer energia, capacitando o organismo a superar a fadiga em determinado exercício ou atividade física (BELOZO; LOPES, 2017).

O trabalho aeróbio promove uma melhora do sistema respiratório e cardiovascular. Assim, devemos priorizar a montagem de exercícios que nos possibilite manter os atletas sobre frequência cardíaca (FC) mais elevadas durante um maior tempo.

Nesse sentido, jogos reduzidos de 4×4 e 5×5 com uma área girando em torno de 150m² por jogador parece ser uma boa opção. Isso porque o contato constante com o centro do jogo permitirá que os jogadores realizem a atividade em maior intensidade física e fisiológica. 

Ainda assim, existem diferentes métodos de treinamento para o desenvolvimento do metabolismo aeróbio. Contudo, segundo Hill-Hass et al (2009) e Casamichana, Castellano e Dallal (2013), os jogos contínuos seriam um método mais eficiente para esta finalidade, dado que, devido à duração prolongada, o desgaste físico, FC e PSE demonstram valores mais elevados.

Por fim, as regras inclusas nos jogos reduzidos no futebol é outro fator que devemos nos ater. Estudos apontam que, a restrição do número de toques na bola pode induzir a uma maior FC durante a realização da atividade, assim como a restrição da presença de goleiros e a utilização de mini-gols.

Treinamento de força através dos jogos reduzidos

Fonte: gazetaesportiva.com.br

A força é uma capacidade física fundamental, sem ela não há movimento e consequentemente jogo. Dessa forma, ela pode ser definida como a capacidade de exercer tensão muscular contra uma determinada resistência, envolvendo fatores mecânicos e fisiológicos que determinam a força em algum movimento particular (BARBANTI, 1996).

Com base nisso, percebemos que praticamente todas as variáveis físicas derivam da força. Dentre elas, existem duas que se destacam por exercerem grande influência na performance dos atletas, são elas a potência e a velocidade.

Treinamento da potência através dos jogos reduzidos

Segundo Platonov (2008), a potência seria a capacidade do sistema neuromuscular de alcançar altos níveis de força no menor tempo possível. Sendo assim, para conseguirmos desenvolver esta capacidade através dos jogos reduzidos no futebol, devemos dar ênfase em comportamentos que exijam maior tensão muscular durante sua realização. Por exemplo: mudança de direções, acelerações e frenagens.

Tendo isso em vista, formatos menores são mais indicados para o desenvolvimento da potência em treinamentos nos jogos reduzidos (CLEMENTE et al, 2017).

Nesse sentido, pequenos jogos de 2×2, 3×3 até 4×4 com m² < 140m por jogador podem ser usados. Além disto, deve se priorizar jogos descontínuos, ou seja, menor tempo de atividade e um maior tempo de intervalo entre as séries de exercícios.

Utilizar a presença de mini gols, ou até mesmo de goleiros, como ferramentas para estimular o aumento do número de ações de força/tensão durante a atividade é uma opção. Pois, o objetivo de atacar e, ao mesmo tempo defender, motivam a execução destes comportamentos. Para direcionar as respostas fisiológicas e neuromusculares dos atletas ao objetivo proposto, é importante adaptar a montagem das sessões de treinamento.

Treinamento da velocidade através dos jogos reduzidos

Resistência de velocidade e finalização no treino da tarde
Fonte: cbf.com.br

Ao se treinar velocidade por meio dos jogos reduzidos, devemos nos ater a uma variável fundamental, o m² por jogador. Sabemos que nos grandes jogos a intensidade fisiológica é menor em comparação aos pequenos jogos. Isto possibilita aos atletas a realização de ações em maiores intensidades, principalmente pela relação esforço X pausa ser maior nesses modelos de jogos reduzidos, retardando a fadiga devido as longas pausas e também ao menor contato com a bola. Assim sendo, os médios e grandes jogos tornam-se alternativas interessantes para podermos desenvolver esta capacidade (BELOZO; LOPES, 2017).

Diante disso, Rebelo et al (2016) constataram que, grandes jogos de, aproximadamente 8X8+GK, proporcionaram aos atletas realizarem mais sprints durante a realização da atividade. Além disto, constatamos uma alta correlação entre os testes de Sprint de 15m e este formato de jogo reduzido.

As medidas oficiais de um campo de futebol profissional padronizadas pela CBF são de 105mX68m, isto resulta em uma área total de 324m² coberta por cada jogador. Portanto, para enfatizarmos a velocidade nos jogos reduzidos, devemos elaborados trabalhos com uma área coberta por jogador > 150m². Isso porque deve haver espaço para se conseguir atingir maiores velocidades dentro do jogo.

Ainda podemos utilizar a presença de goleiros nestas atividades. Assim como priorizarmos a montagem de campos verticais e trabalhos envolvendo jogos de transição, ultrapassagem e progressões.             

Conclusão

Fonte: gremio.net

Por fim, estes dois textos nos mostram o quão complexo é o método de treinamento por meio dos jogos reduzidos no futebol. Conhecemos as diversas variáveis envolvidas nesta metodologia e como manipulá-las para direcionarmos o treinamento ao alvo desejado.

Com uma montagem adequada, considerando o número de jogadores, o m² coberto por cada atleta, a densidade do trabalho, montagem das equipes e as regras inclusas no exercício será mais fácil ser assertivo em suas sessões de treinamento.

É importante ressaltar que os jogos reduzidos, apesar de apresentarem uma ótima correlação com o jogo, não necessariamente são a única e exclusiva metodologia de treinamento. Ou seja, eles podem ser conjugados com trabalhos de caráter analítico.

Cabe a cada profissional extrair o melhor de cada ferramenta, adaptando-se a realidade em que está inserido, para assim, atingir os melhores resultados possíveis.


Escute nosso podcast com o preparador físico Felipe Rabelo para entender mais sobre o assunto.

Contato do autor:
Instagram: endrigo_f
E-mail: endrigof1@gmail.com

Foto de capa
Fonte: gazetaesportiva.com

Receba nossa Newsletter

Gostou dos conteúdos do Ciência da Bola? Deixe seu e-mail e te enviaremos mais.