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Abordagem dos treinadores na especialização esportiva precoce

Por: Guilherme Tadashi

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Atualizado em

A especialização esportiva precoce é um tema bastante discutido na área de Educação Física. Conforme coloca Kunz (2001), a especialização precoce é o processo pelo qual crianças tornam-se especializadas em um desporto em idade não apropriada.

Os megaeventos esportivos influenciam os jovens brasileiros a iniciarem no esporte cada vez mais cedo. Ou seja, a identificação com ídolos e a esperança de obter sucesso, resulta na quantidade crescente de “crianças-atletas”. Portanto, cabe ao treinador de futebol auxiliar esses jovens, através da iniciação esportiva.

Iniciação esportiva

Foto: (Site/Pixabay)

A pressão dos pais e a ansiedade do treinador em encontrar um talento são fatores que devem ser controlados.

Desse modo, sem dúvidas, a iniciação esportiva traz diversos benefícios, e uma série de valores que podem agregar no desenvolvimento da criança. Por exemplo, desempenho motor, trabalho em equipe e disciplina. Porém, quando o treinador utiliza uma metodologia “resultadista”, dificilmente haverá uma iniciação adequada.

Então, é preciso respeitar as etapas de iniciação esportiva e suas fases de desenvolvimento na iniciação esportiva, veja abaixo:

  • Fase I: 1º e 2º Infância (7-10 anos);
  • Fase II: Primeira idade puberal (11-12 anos);
  • Fase III: Pubescência (13-14 anos).

Portanto, este método busca o aprimoramento dos padrões motores por meio da ludicidade. Nessas fases, o desenvolvimento das capacidades biomotoras tornam-se favoráveis por conta da plasticidade do Sistema Nervoso Central. Logo, a criança constrói o seu próprio repertório motor sem a utilização de sobrecargas.

Conforme o indivíduo cresce, as atividades focam no refinamento da aprendizagem anterior. Lembrando que os exercícios não são especializados em nenhum esporte. Afinal, a prática intensa e competitiva ocasiona riscos ao organismo da criança.

Especialização Esportiva Precoce no Futebol

Foto: (Site/Futebol de Formação)

Atualmente, a Pedagogia Esportiva vem sendo assunto em muitas lives, palestras e webinars. No entanto, mesmo com inúmeros estudos, ainda há professores que não respeitam a saúde dos jovens.

Os adeptos da precocidade da especialização esportiva argumentam que é eficaz para descobrir novos talentos, principalmente em clubes e escolas. Diante disso, técnicos, pais e torcidas criticam os menores por erros cometidos, prejudicando-os em diversas dimensões.

Mas você sabe quais são os danos que resultarão na vida dos menores?

Em primeiro lugar, há prejuízos no âmbito psicológico durante a formação escolar, devido a exigência no êxito esportivo. Isto significa que os jovens se sentem mais pressionados, inseguros e desmotivados. Em outras palavras, origina-se altos níveis de ansiedade e estresse se a performance não for atingida.

Para mais, a saturação esportiva também pode ser ocasionada, ao passo que a criança apresentará desinteresse no desporto.

Além disso, o pior é que elas podem carregar lesões pelo resto da vida. Frequentemente, existem casos onde médicos pedem para alguns pararem de jogar, por conta da imaturidade óssea (Leite, 2006).

Sob a perspectiva motriz, a especialização precoce negligencia outros esportes. Pois, como já visto, a prática dos demais desportos oferece enriquecimento motor, auxiliando, portanto, o futuro jogador de futebol.

Respeitar o momento


Foto: (Site/Diário de Pernambuco)

Na iniciação/especialização esportiva, os treinadores devem proporcionar às crianças a abrangência de atividades recreativas e diversificadas. A frequência em escolinhas de futebol é válida, desde que haja algumas condições.

É importante promover exercícios com caráter lúdico, a fim de desenvolver as capacidades propícias à idade em que se encontram. Assim, Junior e colaboradores (2003) reforçam que o aprimoramento da performance é ordenado e sequencial. Portanto, após os 7 anos de idade, aproximadamente, o desenvolvimento motor da criança corresponde a combinação de habilidades básicas.

Ainda, o jovem não pode ser visto como “adulto em miniatura”. Logo, diminuir os feedbacks negativos nos treinos já é um começo. Faça-o pensar o porquê da ação realizada, visto que a reflexão ajudará em seu desempenho cognitivo. A glória e o fracasso precisam ser balizados, tendo como referência a evolução do indivíduo em relação ao seu processo.

Dados os fatos, primeiro o jovem deve desenvolver suas habilidades motoras básicas através de outras modalidades. Para que posteriormente, ela possa se especializar em apenas um esporte. Dessa forma, o esporte infantil é um fenômeno complexo, que não se reduz a metodologias simplistas, nem a procura e tentativa do modelo de atleta ideal (Ramos e Neves, 2008).


Não deixe de conferir nos links abaixo com nossos cursos e podcasts sobre o trabalho de formação no futebol. Tenho certeza que você irá aprender muito e compreender os malefícios da especialização esportiva precoce.


Referências:

D. Rose Jr & A.H.N. Ré – Esporte e atividade física na infância e na adolescência: uma abordagem multidisciplinar. Capítulo 3. Artmed 2009.

KUNZ, E. Transformação didático-pedagógica do esporte. 7.ed. Ijuí: Unijuí, 2006b.

LEITE, Werlayne Stuart Soares. Da alienação à estupidez: Especialização precoce e os danos causados à criança. Anais do 3° Congresso Científico Norte-nordeste – CONAFF, Fortaleza, 2006.

RAMOS A. M.; NEVES, R. L. R. A iniciação esportiva e a especialização precoce à luz da teoria da complexidade – notas introdutórias. Pensar a Prática, Goiânia, v. 11, n. 1, p. 1-8. jan./jul. 2008.


Contato do autor – Instagram: g_tadashi

Foto de capa: Site/William Carvalho Amaral

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